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GNU/Linux

OpenMandriva Cooker: o que existe por trás do desktop

O segundo sistema da minha bancada. Por que o OpenMandriva Cooker está no meu laptop, o que o Clang e o znver1 significam na prática, o que os testes da Phoronix mostraram e como conferir tudo isso no próprio sistema.

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neste texto
  1. Três canais, uma regra: não misturar
  2. Clang: a distribuição construída com outro compilador
  3. znver1: pacotes compilados para processadores AMD Zen
  4. O que os testes já mostraram
  5. Conferir no próprio sistema
  6. O que estou fazendo por lá
  7. O visual também conta

O Omarchy continua sendo o sistema onde trabalho todos os dias. No segundo SSD do laptop, porém, passou a morar outro sistema: o OpenMandriva Cooker, com KDE Plasma. Este texto explica o que ele é, por que me interessa e como conferir as escolhas técnicas dele sem acreditar em slogan, nem no meu.

De onde escrevo
Uso o Cooker há pouco tempo, mas não cheguei agora ao GNU/Linux: meu dia a dia é Arch e Omarchy, contribuo com o BigLinux e já usei muitas distribuições. Acompanho o fórum e o grupo do Cooker no Telegram e escrevo como usuário, não em nome do projeto. Por isso o texto separa o que o projeto documenta, com fonte, do que eu observo na minha máquina.
Desktop KDE Plasma do OpenMandriva Cooker com terminal mostrando informações do sistema sobre um wallpaper de cerejeiras
A minha instalação do Cooker em 13/09/2026: Plasma 6.7 sobre KWin Wayland. Captura do autor.

Três canais, uma regra: não misturar

O OpenMandriva distribui o mesmo sistema em canais de atualização diferentes, e a documentação do projeto insiste num ponto: cada máquina usa um canal só. Misturar repositórios de canais diferentes é o caminho mais curto para conflito de pacotes.

  • Rock é o canal estável, que aponta para a versão fixa mais recente.
  • ROME é a edição rolling, pensada para uso individual, com os pacotes mais atualizados que o projeto considera prontos.
  • Cooker é o ramo de desenvolvimento, onde os pacotes são feitos e testados antes de seguir para os outros canais.

O fluxo documentado é Cooker, depois ROME, depois a versão estável. Plano de lançamentos e repositórios · Página do ROME.

A página do Cooker não doura a pílula: ele é descrito como “um alvo móvel e instável”, e o projeto avisa que não oferece suporte a sistemas rodando nele. O plano de lançamentos é ainda mais direto: não se diz que o Cooker pode quebrar, diz-se que ele vai quebrar.Por isso o Cooker está num SSD separado, e não no sistema onde guardo trabalho do escritório. Para uso diário de quem não quer lidar com quebras, o próprio projeto indica o Rock ou o ROME. Cooker no wiki do projeto.

É exatamente por isso que ele me interessa. Para entender uma distribuição por dentro, o melhor lugar é onde os pacotes nascem: é no Cooker que uma atualização é testada antes de chegar a quem usa o ROME.

Clang: a distribuição construída com outro compilador

Quase todas as distribuições GNU/Linux compilam seus pacotes com o GCC. O OpenMandriva é uma das poucas que adota o LLVM/Clang como compilador padrão, tanto para construir os pacotes quanto como o compilador C e C++ oferecido a quem usa o sistema. O OpenMandriva Lx 3.0 foi apresentado como a primeira distribuição desktop construída inteiramente com Clang, e desde o Lx 5.0 o kernel padrão também é compilado com ele (as versões com GCC continuam disponíveis como alternativa). Phoronix sobre o Clang no OpenMandriva · OpenMandriva Lx na Wikipédia · Notas do Lx 5.0.

Compilador diferente não significa programa automaticamente mais rápido. O que muda é o código de máquina gerado, e o efeito depende do programa, das opções de compilação e da carga de trabalho. Dois termos aparecem sempre nessa conversa:

  • LTO (link time optimization): otimizações feitas no momento em que as partes do programa são ligadas, olhando o conjunto. LTO no LLVM
  • PGO (profile guided optimization): o programa é executado com uma carga típica e o perfil dessa execução orienta a compilação final. PGO no manual do Clang
Hipótese não é resultado
“Compilado com Clang” é uma informação sobre como o sistema foi construído, não uma medida de desempenho. Para afirmar ganho, é preciso comparar o mesmo programa, na mesma máquina, com a mesma carga. A Phoronix já fez esse tipo de comparação algumas vezes, e o resultado está logo abaixo.

znver1: pacotes compilados para processadores AMD Zen

Além das imagens x86_64 genéricas, o OpenMandriva publica uma variante chamada znver1, compilada para processadores da família AMD Zen (Ryzen, Threadripper e EPYC). O Cooker oferece os dois tipos de imagem na mesma página de download. Imagens do Cooker.

A ideia é deixar o compilador usar instruções que todo processador Zen tem, em vez de se limitar ao conjunto comum a qualquer PC de 64 bits.O nome vem da primeira geração Zen. Um Ryzen mais novo, como o Ryzen 7 5800H do meu laptop, executa esse código normalmente: as instruções usadas existem em toda a família. A contrapartida é que esses pacotes só servem para essa família de processadores: quem usa Intel fica com a variante x86_64. É a variante que uso no meu laptop.

znver1 é uma variante de compilação da distribuição inteira, não o nome de um kernel. E vale o mesmo cuidado do Clang: o ganho, quando existe, aparece mais em programas limitados pela CPU do que, por exemplo, num jogo limitado pela placa de vídeo.

O que os testes já mostraram

A Phoronix, referência em benchmarks de Linux, já colocou o OpenMandriva e o Clang à prova. O resumo é menos empolgante que o marketing costuma prometer, e é justamente por isso que vale conhecer:

  1. 2019

    OpenMandriva em último

    OpenMandriva Lx 4.0: znver1 contra Ubuntu, openSUSE e Clear Linux

    Na média geométrica, a versão znver1 ficou só um pouco à frente da genérica; Ubuntu e Clear Linux empataram no topo. Threadripper 2950X

    ver os gráficos na Phoronix ↗
  2. 2020

    praticamente empate

    OpenMandriva Lx 4.1: x86_64 contra znver1 e kernel com Clang

    Em 45 testes, o saldo foi quase neutro, com ganhos pontuais do znver1 em programas como a librsvg. Threadripper 3970X

    ver os gráficos na Phoronix ↗
  3. 2025

    disputa equilibrada

    GCC 15 contra LLVM Clang 20

    Com as mesmas opções de compilação, os dois compiladores ficaram lado a lado. EPYC 9575F, Zen 5

    ver os gráficos na Phoronix ↗
  4. 2026

    estável, sem regressões

    LLVM Clang 22 contra 21 e 20

    Sem grandes ganhos nem perdas; a Phoronix registra o Clang em linha com o GCC no x86_64. EPYC 9655P, Zen 5

    ver os gráficos na Phoronix ↗

Os testes específicos do OpenMandriva são de versões antigas, de 2019 e 2020; não encontrei medição recente só dele. Os testes de 2025 e 2026 respondem outra pergunta, sobre o compilador: o Clang de hoje gera programas tão rápidos quanto os do GCC. Para quem quiser os gráficos completos, cada cartão leva à análise original.

Conferir no próprio sistema

Nada disso precisa ser aceito por confiança. Estes comandos apenas consultam informações e mostram, na sua instalação, qual canal está ativo, para qual arquitetura os pacotes foram compilados e com qual compilador o kernel foi construído:

conferir-openmandriva.sh bash
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#!/usr/bin/env bash
# Versão do sistema e canal de atualização (cooker, rolling, rock...).
cat /etc/os-release
dnf repolist

# Arquitetura dos pacotes instalados: znver1 ou x86_64.
rpm -qa --qf '%{ARCH}\n' | sort | uniq -c | sort -rn

# Compilador usado no kernel em execução: aparece "clang" se foi o Clang.
cat /proc/version

# Processador da máquina.
lscpu | grep -E 'Model name|Flags' | cut -c1-120
NORMAL conferir-openmandriva.sh bash · utf-8 · LF · 13 L

O /proc/version é o mais curioso: o próprio kernel informa com qual compilador foi construído, então dá para verificar a afirmação do projeto sem abrir nenhuma página.

Um detalhe que engana: o fastfetch do print no início mostra x86_64 mesmo numa instalação znver1. Ele lê a arquitetura do kernel (a mesma do uname -m), e o znver1 continua sendo x86_64 para o kernel. Quem revela a variante são os pacotes, pelo comando rpm acima.

O que estou fazendo por lá

Três frentes, que se misturam: testar, aprender e contribuir.

  • Testar software no OpenMandriva. Foi nele que validei a correção do bigocrpdf que resolveu páginas com preto e branco invertidos na compactação CCITT; ela foi incorporada pelo BigLinux em 11/09/2026.
  • Cooker Pulse, um widget do Plasma 6 feito dentro do próprio Cooker, que mostra a atividade do sistema numa órbita inspirada no símbolo do OpenMandriva. Ainda é protótipo.
  • Empacotar e contribuir com a distribuição, que é onde o Cooker faz mais sentido: os pacotes nascem e são testados ali antes de chegar a quem usa o ROME.

O registro dessas frentes fica na Bancada, junto com o Omarchy.

O visual também conta

O wallpaper do meu workspace principal no Cooker, modificado por mim.
O wallpaper do meu workspace principal no Cooker, modificado por mim.
Candidato ao segundo workspace, com flores de cerejeira em primeiro plano.
Candidato ao segundo workspace, com flores de cerejeira em primeiro plano.
Arte oficial do ROME, instalada com o sistema. Autoria OpenMandriva, licença CC BY-SA 4.0 indicada nos metadados do pacote.
Arte oficial do ROME, instalada com o sistema. Autoria OpenMandriva, licença CC BY-SA 4.0 indicada nos metadados do pacote.
Wallpaper de 2019 do acervo do projeto, que ainda vem no pacote de arte da distribuição.
Wallpaper de 2019 do acervo do projeto, que ainda vem no pacote de arte da distribuição.

Um sistema bonito não é argumento técnico, mas faz parte do motivo pelo qual a gente passa horas nele. O OpenMandriva tem uma identidade visual própria, feita de flores sobre fundo escuro, e os meus wallpapers conversam com ela. Clique em qualquer imagem para ver inteira. A proposta deste Lab continua a mesma: gostar da ferramenta, entender por que ela é como é e medir antes de prometer.

Aparato

O que sustenta este texto: fontes citadas, textos que o mencionam, vizinhança temática e histórico de revisão.

Cronologia

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