Numa terça à tarde, um colega me ligou em pânico. O certificado A3 tinha parado de funcionar duas horas antes de uma audiência crítica. Ele estava no Windows, usando o software “oficial” — aquele que todo mundo recomenda porque “funciona”. Não funcionava. Passei o resto da tarde destravando o token por telefone, lendo logs de um sistema que ele não controlava, enquanto pensava: por que ainda aceitamos isso?
É daí que nasce este lugar.
O Athayde Lab não é um blog de dicas. É um laboratório público11Uso o termo “lab” no sentido literal: um espaço onde se experimenta, se erra e se publica antes de ter certeza. Mais próximo de um caderno de bancada do que de uma revista. onde trabalho, em aberto, numa interseção que quase ninguém atravessa: a prática forense séria e o software livre como infraestrutura — não como hobby de fim de semana.
O método: jardim, não revista
Cada texto aqui tem uma data, mas não é matéria fechada. Notas crescem, se conectam, às vezes se contradizem. Se você abrir Por que usar Linux como advogado em 2026?, vai ver o raciocínio atual — que pode estar diferente daqui a seis meses, e tudo bem. É isso que um jardim digital faz: prefere honestidade evolutiva a uma falsa estabilidade editorial.
/) varre tudo. Não há algoritmo escolhendo o que você vê.O que você vai encontrar
Três eixos, que se atravessam:
Direito com tecnologia de verdade. Peticionamento eletrônico que não trava, certificados digitais sem o fetiche da caixinha, LGPD além do checklist, IA aplicada à prática forense — não o hype, a ferramenta. Veja Claude Mythos Preview: O System Card de 244 Páginas como exemplo de leitura técnica aplicada.
Código que escrevo, código que uso, código a que contribuo. Mantenho o BigCertificados (gerenciador A1/A3 em GTK4 pensado para advogados) e alguns utilitários menores. Contribuo com o Big-Shot e com o BigLinux — distribuição brasileira onde caminho junto com a comunidade. No dia a dia, setup simples: Neovim com LazyVim, Ashyterm como terminal, BigLinux como base. O Lab documenta os três lados, porque código aberto não é bandeira — é método. Se não consigo ler o que executa na minha máquina, não confio nele com dados de cliente.
Leituras que moldam o pensamento. Livros, ensaios, referências — como em Lições de 30 anos: lendo Nat Eliason. Pensamento não acontece no vácuo, e prefiro mostrar minhas fontes22Advogado citando sem fonte é arriscado. Pensador público sem bibliografia é pior. a fingir originalidade.
A disciplina por trás
Nada aqui cai do céu. Escrevo sobre o que estudo — e estudo todo dia. Leio o Arch Wiki como quem lê jornal, acompanho o kernel.org e o LinuxQuestions, navego issues e PRs no GitHub, volto aos clássicos do Direito, da filosofia e da lógica33Lógica formal, argumentação, filosofia da linguagem. Um processualista que não estuda lógica cedo ou tarde perde peça por contradição interna. , e encaixo uma língua nova no calendário quando consigo. Aprender, aplicar, discutir, colaborar — é um ciclo, não um curso.
Se você procura atalho, este não é o lugar. Se procura caderno de bancada de alguém que estuda todo dia — entrou certo.
O que este site não é
Não é Substack, não é LinkedIn, não tem newsletter que paga boleto. Não vou te empurrar um curso no final do texto. O material aqui é gratuito porque entendo conhecimento técnico sobre software livre no Direito como infraestrutura — e infraestrutura não se vende no varejo.
Sem newsletter não significa silêncio. Significa que existe um feed RSS servido em texto puro, um canal no Telegram que avisa quando texto novo entra, e um canal no YouTube para o que ganha forma em vídeo. Três canais opt-in, zero email armazenado, zero tracker. Quem realmente prefere email pode usar um RSS-to-email de terceiros — Kill the Newsletter ou Blogtrottr resolvem em dois cliques.
Se isso soa alinhado, fica. A porta da frente é esta. A partir daqui, o jardim abre em várias direções — comece por onde a curiosidade puxar.
